Chuva*
Como sempre, eram oito horas da matina e ela saiu de seu prédio em direção ao ponto de ônibus. Sentindo uma tristeza imensa por mais uma vez ter que ir praquele lugar. Por que não tinha coragem de pedir demissão? De se ver livre daquela tortura diária? Nó na garganta... E de repente, não era ela que chorava, mas o céu. Começou como uma chuvinha fina, a famosa garoa de Sampa. Chegou ao ponto de ônibus. Protegeu-se embaixo do ponto. O cobrador disse que poderia entrar. Entrou, passou seu bilhete único na catraca. Sentou-se no mesmo lugar de sempre. Admirou o caminho inteiro a chuvinha pela janela. Durante o caminho pro centro da cidade, a chuva foi apertando, cada vez mais forte. De repente, era uma tempestade. Olhava, mas só enxergava sua imagem no vidro. Os pingos passaram a se juntar no vidro... Enxergou seu pai a chamando para tomar um banho de chuva de verão! Tinha apenas sete anos. Ela subiu as escadas, vestiu seu maiô rosa e amarelo. Desceu as escadas. Pegou o balde que seu pai havia pedido. Começaram a lavar o Corcel azul calcinha. A chuva caindo, os galhos da sua árvore balançando... Ela sorria, seu pai lavava o carro. Os dois ali juntos, unidos por aquela chuva, eternizados na memória. Avenida São João com Ipiranga, alguma coisa acontece no meu coração! J'tinha 24 anos. Desceu do ônibus, esqueceu de abrir o guarda-chuva. Não quis abrir, na verdade. Os pingos se tornaram parte do seu corpo. Sentiu-se leve e feliz como naqueles momentos que passou em sua infância. Não pulou as poças, pulou nelas. Todos ao seu redor estavam com seus guarda-chuvas. Menos ela. Sorria como muito tempo não o fazia. Chegou na frente do prédio. Decidiu não subir, ficou vagando pelo centro da cidade pulando nas poças, rindo, vivendo o momento. Esqueceu o mundo. Lavou a alma...
* Resolvi esscrever depois de ler o post da Dionea sobre o mesmo tema: chuva. As lembranças realmente existem, a história pode de fato acontecer qq dia desses.
Como sempre, eram oito horas da matina e ela saiu de seu prédio em direção ao ponto de ônibus. Sentindo uma tristeza imensa por mais uma vez ter que ir praquele lugar. Por que não tinha coragem de pedir demissão? De se ver livre daquela tortura diária? Nó na garganta... E de repente, não era ela que chorava, mas o céu. Começou como uma chuvinha fina, a famosa garoa de Sampa. Chegou ao ponto de ônibus. Protegeu-se embaixo do ponto. O cobrador disse que poderia entrar. Entrou, passou seu bilhete único na catraca. Sentou-se no mesmo lugar de sempre. Admirou o caminho inteiro a chuvinha pela janela. Durante o caminho pro centro da cidade, a chuva foi apertando, cada vez mais forte. De repente, era uma tempestade. Olhava, mas só enxergava sua imagem no vidro. Os pingos passaram a se juntar no vidro... Enxergou seu pai a chamando para tomar um banho de chuva de verão! Tinha apenas sete anos. Ela subiu as escadas, vestiu seu maiô rosa e amarelo. Desceu as escadas. Pegou o balde que seu pai havia pedido. Começaram a lavar o Corcel azul calcinha. A chuva caindo, os galhos da sua árvore balançando... Ela sorria, seu pai lavava o carro. Os dois ali juntos, unidos por aquela chuva, eternizados na memória. Avenida São João com Ipiranga, alguma coisa acontece no meu coração! J'tinha 24 anos. Desceu do ônibus, esqueceu de abrir o guarda-chuva. Não quis abrir, na verdade. Os pingos se tornaram parte do seu corpo. Sentiu-se leve e feliz como naqueles momentos que passou em sua infância. Não pulou as poças, pulou nelas. Todos ao seu redor estavam com seus guarda-chuvas. Menos ela. Sorria como muito tempo não o fazia. Chegou na frente do prédio. Decidiu não subir, ficou vagando pelo centro da cidade pulando nas poças, rindo, vivendo o momento. Esqueceu o mundo. Lavou a alma...
* Resolvi esscrever depois de ler o post da Dionea sobre o mesmo tema: chuva. As lembranças realmente existem, a história pode de fato acontecer qq dia desses.
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